29 de junho de 2004

Consumista do instantâneo



Sinto-me desprovido de sentir, cansado...estupidificado, consumista do instantâneo, do entretimento directo e alienante, morreram as revoltas internas, inspirações naturais. Neste momento rendo-me a insignificância e ganha independência aquela que foi a minha fiel caneta na revolta de querer conhecer por si, desbravando as paginas dos grandes para que um dia nos dedos de outro consiga os holofotes, esses de que fujo no temor de ser queimado.

15 de junho de 2004

A foto da minha vida







(Foto de: Margarida Delgado, in www.fotopt.net)


Fotografei com memória...com o maior rigor técnico, sem duvida a foto da minha vida, poderei enlouquecer de vez, chegar a velho e ser traído pela arteriosclerose, ficar definitivamente senil, mas tenho como sorte que nada me roubara a mais perfeita das fotografias.
Meu corpo ainda suado...despudorado, amparado por vincos de lençóis branco, onde perdurava teu cheiro e teu gosto entranhado com meu gosto e meu cheiro...
Na porta do quarto avançava teu corpo nu, pela mão uma chávena de café, branca de contornos refinados para condizer como os do teu corpo, é impressionante o sentido estético que cada acção, cada prisma teu, naturalmente difunde. O café vem apenas morno com pouco açúcar, conheces o meu gosto, gosto de sentir o travo forte, dá-me paz conheceres-me, compreenderes-me....
Lembro com um sorriso os tempos em que te envergonhavas quando esquecia a existência do tempo a olhar fixamente o teu corpo nu, contemplava-te, da forma impressionada de quem contempla a mais genial das obras arquitectónica.
Dizias com ar de menina inocente e envergonhada: - Não olhes assim para mim, de forma tão fixa, perturba-me.. E sorrias de forma comprometedora, contradizendo as palavras, dizia sussurrando teu sorriso ”sim, venera-me, contempla-me, como me preenche esse teu amor.”
No meu jeito desastrado, entornei um pouco do café sobre teus peitos quando tentava alcançar teus lábios...sabes?? É por isto que só bebo café morno. Detonamos numa gargalhada, como duas crianças. Pousem a chávena na cabeceira e lancei-me sobre ti com luxuria, cruzando os meus vícios.....bebendo em teu corpo gota por gota o mais perfeito dos cafés.




3 de junho de 2004

Para ti!




Para ti...

Ès menina insegura…na candura do gesto e no serrar dos olhos, és doce no entreabrir dos lábios de sabor e textura de mel em leite, é a inocência que me carrega de uma ternura de crer… Quando mergulho no teu espelho, vejo para lá, mais do que teu rosto, mergulho em ti, num todo absorvente, nessa beleza que me fascina e da qual desconfias numa insegurança de menina. E assim…pegas no teu lápis de riscos como guerreira que se prepara de arma e escudo, com mais um traço mascaras-te de mulher fatal. Depois… Sais! Marcando um passo altivo, arrebatando olhares e atenções, jogando e brincado com o puzzle do desejo. Mas…eu, eu vejo quando mergulho no teu espelho, o mais secreto local onde guardas a tua insegurança de menina…

2 de junho de 2004

Não te Amo!!








Ai! Se eu fosse gente igual a gente… Como eu queria ser gente igual a gente… Foi o teu perfume que deu de beber a meu cansaço, esse sabor fresco, o sorriso e beleza inocente, a devoção que cultiva a inveja alheia que alimentou meu ego ferido…como me queria a menina que outros queriam, e eu…só queria ser gente igual a gente… e naveguem por ti em alucinação. Mas, Não! Sou bicho insaciado, preciso de sentir brasas dentro do corpo, combustão contínua para não morrer. Por isso fujo de novo, no silêncio da minha cobardia, despido da coragem de dizer…: Não te amo…