
(Foto de: Margarida Delgado, in www.fotopt.net)
Fotografei com memória...com o maior rigor técnico, sem duvida a foto da minha vida, poderei enlouquecer de vez, chegar a velho e ser traído pela arteriosclerose, ficar definitivamente senil, mas tenho como sorte que nada me roubara a mais perfeita das fotografias.
Meu corpo ainda suado...despudorado, amparado por vincos de lençóis branco, onde perdurava teu cheiro e teu gosto entranhado com meu gosto e meu cheiro...
Na porta do quarto avançava teu corpo nu, pela mão uma chávena de café, branca de contornos refinados para condizer como os do teu corpo, é impressionante o sentido estético que cada acção, cada prisma teu, naturalmente difunde. O café vem apenas morno com pouco açúcar, conheces o meu gosto, gosto de sentir o travo forte, dá-me paz conheceres-me, compreenderes-me....
Lembro com um sorriso os tempos em que te envergonhavas quando esquecia a existência do tempo a olhar fixamente o teu corpo nu, contemplava-te, da forma impressionada de quem contempla a mais genial das obras arquitectónica.
Dizias com ar de menina inocente e envergonhada: - Não olhes assim para mim, de forma tão fixa, perturba-me.. E sorrias de forma comprometedora, contradizendo as palavras, dizia sussurrando teu sorriso ”sim, venera-me, contempla-me, como me preenche esse teu amor.”
No meu jeito desastrado, entornei um pouco do café sobre teus peitos quando tentava alcançar teus lábios...sabes?? É por isto que só bebo café morno. Detonamos numa gargalhada, como duas crianças. Pousem a chávena na cabeceira e lancei-me sobre ti com luxuria, cruzando os meus vícios.....bebendo em teu corpo gota por gota o mais perfeito dos cafés.