5 de agosto de 2014

O meu avô fez há poucos dias 100 anos… hoje o meu avó morreu…

Encontrava-me numa pequena reunião de trabalho quando o telefone tocou... naquela hora, daquele número, dado o quadro clinico das ultimas semanas, presumi o que seria.

Saí...o telefonema não demorou mais que 2 minutos, pela voz da minha mãe tive a confirmação, o meu avô paterno, últimos dos meus avôs vivos, morreu. Desliguei o telefone e em alguns segundos medi o impacto que o acontecimento teria no meu planeamento daquele dia e do próximo e voltei para a pequena reunião, o meu dia de trabalho segui dentro da “normalidade”.

Em mim, a morte sempre foi inexplicável, inaceitável, ao ponto de na adolescência, e a bem da minha sanidade mental, ter decidido desistir de montar esse puzzle, resolvi ignorar fechar a caixa com as peças soltas, subir o escadote e guardar na última prateleira.

Mas ao longo da vida, algumas vezes, felizmente poucas, a caixa caiu, e as peças saltaram desordenadas por todo lado, uma desordem que contagiava o meu equilíbrio, tudo aquilo pareceria sempre completamente desprovido de sentido… “ Fim? Mas que fim!?”. Restou-me sempre tentar colocar o mais rapidamente possível as peças dentro da caixa e subir novamente até á ultima prateleira para a arrumar.

Quando há umas horas o telefone tocou e a caixa voltou a cair no chão, estranhamente grande parte das peças pareceram estar encaixadas, e o meu dia seguiu em normalidade, sem o desarrumo dos “porquês?” da morte…
O que mudou em mim? O meu avô era um homem de 100 anos; apesar do lanço de sangue e carinho “a vida” fez que fosse ficando cada vez menos presente na minha vida; já não sou o adolescente de ontem e consigo ter a frieza de racionalizar a inevitabilidade do fim.

Mas sabes Avô!?
Não gosto deste meu eu, este que se propõem a aceitar a morte… a tua morte, não gosto desta frieza encapotada pelo eufemismo de maturidade… não sou eu isto, nem quero ser, quero ser o que sente tudo de forma intensa e verdadeira como a vida exige. Não me pode fazer  sentido não voltar a ver-te nesse sorriso só teu a dizer na tua voz  pousada “ Olha o Mestre”…E tenho de chorar, como choro agora, por constatar que algo que não entendo me roubou essa possibilidade.

Viajo pela memoria, ela não me trás uma gesto ou uma palavra ríspida que tenhas tido para comigo…para sempre ficara a ultima vez que te vi, onde respondeste á pergunta “Sabe quem é este?” com esse sorriso matreiro só teu“ é aquele que passa a vida a andar la por fora”.

Adeus, Avô.

22 de junho de 2014

Sempre fintei a solidão preenchendo-me de mim...  Perdi velocidade para estas fintas...  Estou só.

14 de fevereiro de 2014

Um dia… só mais um dia


Dia especial? Não existem dias especiais marcados por um calendário... Um dia é só mais um dia em cima de um ontem e antes desse amanha, todos iguais… 

Os dias são o que fazemos deles. Hoje é apenas mais um… um daqueles em que forçadamente estou  longe de ti. Por isso é apenas mais uma dia normal, um desses que vai para o baú dos dias da indiferença e vai passar sem me causar qualquer moça.

Ou então tudo isto é uma solene mentira… sinto uma forte agustia porque hoje é mais um 14 de Fevereiro em que estou longe de ti…

Amanha será especial, estaremos juntos…
Até Já… Amor


28 de fevereiro de 2012

Tanto com tão pouco…

Esse mundo em que intelectuais de poltrona decretam o conhecimento e desenvolvimento como o mais valioso dos bens… ficou para lá distante, de tão distante que daqui roça o ridículo.


Hoje, aqui… as grandes cidades não são mais que enormes feiras, vendas ambulantes, o marketing que se traduz na lata de tinta que se projecta na parede da loja, cor, muita cor, cargas transportadas à cabeça, a fruta de cor apelativa, mais cor, gente, mais gente…

Ao entrar pelo Cameroon profundo, é no sorriso solto das crianças que correm vestidas de cores berrantes que me confronto com o verdadeiro valor da vida.

Pouco conhecem para lá dos pastos meio secos onde o gado procura sustento, para lá da argila das paredes que os acolhe à noite, para lá das estradas da terra vermelha onde os quilómetros se vencem pelas pernas e a sede se mata com suor… E é nesta ingenuidade do ser que germina a pura felicidade da inocência, a verdade do sorriso.

Uma dessas crianças virou adolescente e, no miradouro dos amantes, faz as suas juras e promessas de amor… sem mentira, sem subterfúgios porque nada conhece para além de aquilo que efectivamente pode dar…

É na pobreza que o Amor se solidifica em diamante…
 
in olhares

5 de outubro de 2011

Hoje o Tempo está em época de saldos

Ontem na rua velha, reparei na mal tratada porta 33, tinha bonito letreiro: “Abri-mos Amanhã”.


Curioso.

Hoje já é amanhã.

O Letreiro foi substituído por um com a inscrição: “Loja do Tempo”.

Entrei.

Sala quase deserta, umas roupas velhas, uma ampulheta, um foco de luz, 4 letreiros:

- Vendo tempo barato

- 1 dia 5 Euros

- 1 Semana 25 Euros

- 1 Mês 60 Euros

Na revolta, desapareço no que sou na tentativa de esmagar o tempo…

Vendemos a vida á miséria em troca do tempo.

Hoje o Tempo está em época de saldos

26 de setembro de 2011

Não tem antes toalhetes?


Vês? Familiariza-te ao tacto. Não é mais que papel, e de má qualidade, toalhetes húmidos arranha-te muito menos... não é?

Dir-te-ão: que é lei, cura, doença, poder, fama, gloria, decadência...

Ouve-os , assimila, compreende, mas nunca esqueças que afinal não é mais que papel que arranha o cu.

Nunca o almejes no fim de comprar gente, e que jamais a carência te venda a gente.

21 de setembro de 2011

Quero o lado B do disco da minha vida

Vivi… dancei ao som do intenso e da sofreguidão, vibrei em mais corpos do que o meu corpo exigia, bebi para alem do ultimo copo, fechei portas nas hora de abrir..No caos, perdido entre o ser e parecer ser, confuso entre o verdadeiro sentir e um sentir embriagado de duvida e pincelado de um inconsciente fingir fui o exagero que tanto amei… Um tolo de horas feliz


Hoje ao divino suplico por um novo começo…
Ela finalmente chegou, com ela o encontro comigo, com um eu limpo, sem químicos ou aditivos. Em seus beijos aveludados chegou a paz, certezas, tantas as certezas como as duvidas que no passado me assolavam.
Quero o lado B do disco da minha vida.
Anseio com uma força que nunca antes conheci por um modo de vida que no ontem apelidava de vegetal… que grosseira ingenuidade.
Quero descobrir arte na rotina, sentir dependência e ser depende , quero choro de criança, quero a mesma de sempre e só a mesma de sempre, porque é ela, é a escolhida, é a ultima.
Quero fusão, criar, construindo, no material o real emotivo, real porque amanha vai lá estar..
Quero ama-la!

Tu ai! Ò Deus! Perdoa-me o pecado da duvida, deixa-me gravar este lado B… farei por não te desiludir…

18 de setembro de 2011

Jorge Palma: O ultimo dos artistas

A alma que não se amarra a existência física, foge do corpo e contagia na embriagues do sentir…é o que distingue os eleitos. Chamo-lhe: o poeta das palavras simples, o ultimo dos artistas. A alma que não se vende, que não nega busca do momento. A capacidade de registar em notas e versos um sentir que não é só seu. Chegou mais uma vez atrasado, com o passo desacertando pela conversa com a garrafa de Gin, o publico de ocasião esboça ridículas reacções de desagrado, junto as grades...aqueles, aqueles para quem ele subiu ao palco, aqueles que sabem que o concerto já não seria o mesmo sem aquela hora e meia de espera, já não seria o mesmo se ele viesse estupidamente sóbrio...O piano liberta-se, as palavras confundem-se com as notas, confundem-se com o artista, confundem-se com aqueles que esperaram...porque vale sempre a pena esperar. Acaba a primeira música, muito falta ainda, ma há já quem grite: ÈS O MAIOR! (Jorge Palma)

16 de setembro de 2011

E no turbilhão do momento, em um incerto tudo, no poço do medo, agarro-me a única certeza do futuro… prendo-me a ti

24 de setembro de 2009

Negação

Entro aqui, neste espaço a que chamo abrigo, meu abrigo. Está vestido de solidão… que importa, gosto de ser só.

Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…

Penduro o casaco nas costas da cadeira, e sirvo-me um moscatel, a garrafa, dois copos… um copo afinal, afinal um copo só... Estou bem assim só! Molho os lábios…num repente a minha paz é abalada por um reclamar, reclama o copo pela textura dos teus lábios, pelo gosto de tua boca. Esse gosto… algema, brinca, vicia… Ignoro-o, estou bem assim só!

Projecto-me no sofá, apoio a cabeça na obreira e logo ouço um resmungo a saudade de teus cabelos… gentis e perfumados… Ergo-me! ligo a tv, a pivô do jornal das 9 diz: “ a emissão foi interrompida por greve deste aparelho, o mesmo reivindica voltar a ter devotos sobre si: “Os Olhos”, sim, esses de nome próprio, os únicos, a fonte, o sentir, os envolver… “ Faço click no interruptor…

Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…

Deixo a sala ficando rasto de roupa, fito a minha planta, parece murchar, semblante triste. Com um franzir de sobrolho pergunto “porquê?” diz que sem a tua luminosidade não há fotossíntese.
Tento lavar a cara no desejo de acordar. A torneira protesta contra minhas mãos ásperas desajeitadas exigindo o macio e delicadeza das tuas, olho espelho… ele pede: ” a mais bela..”

Fujo… e refugio-me no quarto!
Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…

Jogo-me sobre a cama.. . os lençóis sussurram desejando os contornos do teu corpo… trazendo-me á presença o nosso entrelaçar, trazendo aos meus ouvidos o teu gemer em crescendo….

Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…

Mas… volta!