Entro aqui, neste espaço a que chamo abrigo, meu abrigo. Está vestido de solidão… que importa, gosto de ser só.
Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…
Penduro o casaco nas costas da cadeira, e sirvo-me um moscatel, a garrafa, dois copos… um copo afinal, afinal um copo só... Estou bem assim só! Molho os lábios…num repente a minha paz é abalada por um reclamar, reclama o copo pela textura dos teus lábios, pelo gosto de tua boca. Esse gosto… algema, brinca, vicia… Ignoro-o, estou bem assim só!
Projecto-me no sofá, apoio a cabeça na obreira e logo ouço um resmungo a saudade de teus cabelos… gentis e perfumados… Ergo-me! ligo a tv, a pivô do jornal das 9 diz: “ a emissão foi interrompida por greve deste aparelho, o mesmo reivindica voltar a ter devotos sobre si: “Os Olhos”, sim, esses de nome próprio, os únicos, a fonte, o sentir, os envolver… “ Faço click no interruptor…
Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…
Deixo a sala ficando rasto de roupa, fito a minha planta, parece murchar, semblante triste. Com um franzir de sobrolho pergunto “porquê?” diz que sem a tua luminosidade não há fotossíntese.
Tento lavar a cara no desejo de acordar. A torneira protesta contra minhas mãos ásperas desajeitadas exigindo o macio e delicadeza das tuas, olho espelho… ele pede: ” a mais bela..”
Fujo… e refugio-me no quarto!
Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…
Jogo-me sobre a cama.. . os lençóis sussurram desejando os contornos do teu corpo… trazendo-me á presença o nosso entrelaçar, trazendo aos meus ouvidos o teu gemer em crescendo….
Sim! Estou bem só…Sim! Passo bem sem ti…
Mas… volta!
Um comentário:
Já há quem tenha saudades de te ler.
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