28 de fevereiro de 2012

Tanto com tão pouco…

Esse mundo em que intelectuais de poltrona decretam o conhecimento e desenvolvimento como o mais valioso dos bens… ficou para lá distante, de tão distante que daqui roça o ridículo.


Hoje, aqui… as grandes cidades não são mais que enormes feiras, vendas ambulantes, o marketing que se traduz na lata de tinta que se projecta na parede da loja, cor, muita cor, cargas transportadas à cabeça, a fruta de cor apelativa, mais cor, gente, mais gente…

Ao entrar pelo Cameroon profundo, é no sorriso solto das crianças que correm vestidas de cores berrantes que me confronto com o verdadeiro valor da vida.

Pouco conhecem para lá dos pastos meio secos onde o gado procura sustento, para lá da argila das paredes que os acolhe à noite, para lá das estradas da terra vermelha onde os quilómetros se vencem pelas pernas e a sede se mata com suor… E é nesta ingenuidade do ser que germina a pura felicidade da inocência, a verdade do sorriso.

Uma dessas crianças virou adolescente e, no miradouro dos amantes, faz as suas juras e promessas de amor… sem mentira, sem subterfúgios porque nada conhece para além de aquilo que efectivamente pode dar…

É na pobreza que o Amor se solidifica em diamante…
 
in olhares

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